Aos Nossos Jovens… Futuros Cidadãos

Indignação, repulsa, choque… Mas por que tudo isso? Por que tanta revolta com cinco jovens de classe média, que queimaram vivo um ser humano? Afinal, foi apenas uma brincadeira, “coisa da juventude”

Essa brincadeira foi apenas uma conseqüência. Esses jovens são apenas um produto. Eles são o que os adultos fizeram deles: inconseqüentes, sem limites, confiantes na impunidade.

Essas tragédias são sempre a última etapa de um processo.

Respeito às leis e aos outros, a responsabilidade, a formação do caráter, não aparecem da noite para o dia, como um “toque de varinha de condão”.

A educação de um cidadão começa lá atrás, quando criancinha. Isso mesmo, há anos atrás.

Quando ele chutava a mãe, a tia, a professora, quando jogava objetos na empregada, nos coleguinhas, “tudo era coisa de criança”.

Conversa, diálogo, com essa criança? Não havia necessidade, “isso passa com o tempo”.

E o tempo realmente passou e com ele chegou a adolescência… que também passará. Mas antes, o adolescente chegará à sua casa com jaquetas, tênis de griffe, relógios importados, CDs, e ninguém lhe perguntará quem lhe deu esses presentes e, se perguntarem, aceitarão, com facilidade, a resposta “meu colega me emprestou”.

Se chega de madrugada, nos fins de semana, ouve apenas um sermão, e poderá responder: “mas vocês também chegam…”

“Se é o carro da família que se espatifou em um “pega”, a primeira providência é limpar o nome na polícia. O sobrenome, a influência política, vão livrá-lo rapidamente da sala do delegado.

E a Escola, o que faz por ele? Pouca coisa. Hoje O ALUNO PODE TUDO, OU QUASE TUDO. As leis estão aí para “ampará-lo”. Se é reprovado ou expulso da Escola – porque pôs uma bomba no banheiro – as liminares aparecem rapidamente para “repararem a injustiça que os professores cometeram”. Se é repreendido pelo professor durante a aula, no dia seguinte ouviremos: “não admito que falem assim com o meu filho. Ele não mente”. Isto é, o mentiroso é o professor.

Se as notas estão ruins, a transferência para outra escola, que não o reprovará, é feita da noite para o dia.

Depois de conviver com esse tipo de educação, com essa permissividade, o que queríamos? Adultos responsáveis, corretos, de bom caráter?

Exigir do jovem respeito humano, amor ao próximo, como? Nós não lhe ensinamos isso!

Ouvimos e estamos sempre dizendo: “os jovens de hoje não têm limites”. Não têm mesmo. Mas não têm por nossa culpa, nós, pais, que também não sabemos lidar com nossos limites. Eles não perderam os limites. Ninguém perde o que não tem.

O limite é o primeiro passo daquele processo de que falei acima. O ponto de referência é o segundo. Os outros passos virão com o amor, o carinho, o diálogo, o não firme, na hora certa e, principalmente, com o exemplo.

Portanto, esses jovens de Brasília fazem parte da pobre sociedade brasileira que não cuida das suas crianças, dos jovens e, depois, quer cidadãos de primeira qualidade.

A sociedade é construída por nós mesmos.

E Brasília, bem… Brasília é o reflexo da nossa sociedade, que rejeita, que exclui, que ignora o pobre, o miserável, produtos também dessa mesma sociedade.

Wania Costa Monteiro de Castro – Coordenadora do Ensino Médio do Colégio Sta. Dorotéia

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