Falta Educação aos Pais

Diante da sala onde trabalho, há outra sala onde trabalha minha amiga ortodôntica, cuja clientela é constituída quase que na sua totalidade por crianças. Mães tentando controlar crianças tranquilas, outras, nervosas e inquietas, entram e saem do seu consultório ao longo do dia.

É comum encontrar papéis de balas e de bombons espalhados pelo corredor e no piso junto aos elevadores. Quanto a isso, nada demais, a não ser pelo que está por trás disso. Pelos papéis de bala espalhados pelo chão (e pela lixeira vazia), dá para se imaginar o tipo de educação que essas crianças recebem.

Por esses “pequenos descuidos” das crianças, avalia-se a qualidade de sua educação. Ou melhor: que não recebem. A conclusão é simples: se pai e mãe não educam é porque não são educados. Ninguém dá o que não tem. Ou, provavelmente, os pais dessas crianças acreditam e esperam que as escolas as eduquem. É uma pena, porque a educação de berço não tem como ser substituída pela de escola, pois as escolas não educam: apenas instruem.

Essas crianças, adultas daqui a pouco, expressarão o que pode ser entendido como antônimo de Educação. Quando não se educa, corrompe-se.

Quando o filho falta com o respeito ao seu professor(a) e leva uma advertência para os pais assinarem, o que ocorre na maioria das vezes? Os pais, sem se inteirarem dos fatos e acreditando na versão “pouco verdadeira” ou na chantagem emocional do filho, vão indignados à escola em sua defesa para reclamar do professor, pedir a sua exclusão do quadro de professores ou até ameaçá-lo de denúncia e processo. Assim, o filho se sentirá superprotegido e acreditará que não é responsável pelos seus atos. E mais: que ser desonesto e desrespeitoso com as pessoas é uma coisa normal. Esse é um pequeno exemplo de corrupção de menores, mas que acontece no dia a dia. Outros exemplos piores há.

Você já recebeu em casa a visita de uma mãe acompanhada de seu filho sem limites? O menino ou menina mexe em tudo, sobe na poltrona, derruba objetos, grita, faz birra, apronta e a mãe nada faz a não ser dizer: “Vem cá, filhinho!” E o “pestinha” continua a quebradeira. Esse é outro exemplo de corrupção de menores, que é o oposto de educação. As pessoas não têm consciência de que quando não educam, corrompem. E fazem isso com os próprios filhos, cheios de boas intenções, querendo o melhor para eles e, no entanto, dando-lhes o pior. E, nesse processo, priorizam o ter em detrimento do ser.

A super-proteção, a permissividade, a convivência com a irresponsabilidade e falta de disciplina, a falta de limites, corrompem a criança preparando-a para um convívio social que não existe e para uma sociedade utópica, pois a real cobrará sempre comportamentos responsáveis, éticos, honestos e justos.

Pais que de fato almejam uma família sadia, uma sociedade mais justa, equilibrada, honesta e harmoniosa e uma vida melhor para os seus filhos: plantem educação e colherão uma vida mais saudável, mais tranqüila e mais feliz para si e para os seus filhos.

Mas lembremo-nos de que o plantio tem o seu tempo certo. Plantio tardio produzirá frutos minguados ou nenhum. A vida é um processo e as fases não são recicláveis e nem passíveis de serem revividas. Não há como voltar no tempo para refazer.

Pais, aos quais lhes faltam educação e disciplina: eduquem-se para então educar, porque ninguém dá o que não tem.

Lembremo-nos: educação refere-se àquela de berço, desenvolvida pela família. Escolas não educam. Escolas apenas instruem. Portanto, que os pais não transfiram à escola, a função de educar. Elas não têm prerrogativas para tal.

Educar é basicamente disciplinar estabelecendo limites. Havendo o cumprimento das regras, reforça-se; havendo transgressão, que haja punição, mas lembremo-nos: “Punição efetiva é dada imediatamente após a falta cometida; baseia-se em retirar reforços e prover regras claras de como obtê-los de volta; faz uso de sinais de aviso; é desempenhada calmamente, é dada junto com reforços pelos comportamentos adequados e desejáveis; é consistente” Que os pais informem-se, preparem-se e descubram os seus limites porque ninguém dá o que não tem. Disciplinem-se para então educar.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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