O poder do não

Do livro Psicologia Positiva – PNL e Coaching Pessoal
de Joel Antunes – Editora Viseu

Quando uma pessoa diz um sim para alguém, estará dizendo também um não. Na maioria das vezes, quando dizemos sim para alguém, estaremos dizendo não para nós mesmos. A tendência de sempre dizer sim para o outro constitui um problema que traz prejuízos para ambos os lados.

A parte mais prejudicada é a que não sabe dizer não para os outros. Tantas vezes dirá sim para os outros quantas dirá “não” para si.

Quando não se sabe dizer não, dizem-se “sins” indiscriminados para os outros e nãos absolutos e indiscriminados para si. Quando não se sabe dizer não para os outros, também não se sabe dizer não para si quando isso é necessário. É essencial que se saiba dizer não para os outros e também para si.

Exemplo: uma pessoa lhe pede que faça algo por ela, o que vai tomar duas ou três horas do seu tempo, e você diz SIM para ela. Ao mesmo tempo, você estará dizendo NÃO a si próprio, pois terá que dispor daquelas duas a três horas para trabalhar por aquela pessoa. Ela poderá usufruir daquele tempo para descansar, se divertir, assistir à TV, se dedicar a um hobby, fazer compras ou gozar o ócio. Enquanto isso, você trabalhará por ela, fazendo aquilo que ela mesma deveria fazer, tirando de você a chance de fazer algo para si mesmo.

Age-se dessa forma quando não se tem consciência das consequências desse comportamento. Essa limitação leva à deterioração das relações, abaixa a autoconfiança e autoestima da pessoa, tornando-a praticamente refém do outro e, o que é pior: esse comportamento impede que as relações possam se manter sadias.

Um cuidado que se deve ter é de avaliar o pedido quando nos dispomos a fazer alguma coisa que outra pessoa nos pede.

Os “SINS” impensados, estarão incentivando no outro a manutenção desse comportamento perverso, tirando dele a oportunidade de ser produtivo, de aprender, de ser útil, responsável e de se relacionar de forma sadia.

Quando não se sabe dizer não para o outro, as causas podem ser:
– covardia (a pessoa não se assume);
– medo de contrariar a pessoa;
– medo de perder a amizade dela;
– medo de perder o respeito do outro;
– medo de não ser querido;
– medo de ser menosprezado;
– medo de ser criticado;
– medo de ser rejeitado;
– timidez.

Por causa desses e outros medos, a pessoa deixa de ser assertiva, causando um mal maior a si mesma. Se uma pessoa não sabe dizer não, ela não obterá sucesso nos seus projetos e ações, ficará estagnada no trabalho, suas relações interpessoais serão insatisfatórias, as decepções amorosas serão recorrentes, não chegará a cargos importantes na empresa e, se por sorte alcançá-los, não conseguirá mantê-los — ou seja, quem não sabe dizer não vive uma vida medíocre e limitada em todos os aspectos.
Para que você possa entender melhor, torna-se necessário citar algumas diferenças entre mente consciente (MC) e mente inconsciente (MI). Elas são diametralmente opostas, porém complementares entre si.

A MC é sequencial, temporal, dedutiva, orienta-se pela lógica, critica, compara, avalia, interpreta, julga, está em contato direto com a realidade por meio dos cinco sentidos. A MI é atemporal, indutiva, global, virtual, literal, não interpreta, não critica, não julga, não avalia, não deduz, faz contato com a realidade por meio da MC e órgãos dos sentidos. As informações (sensações percebidas) são primeiramente processadas (avaliadas) pela MC. Tudo o que chega à MI não é por ela questionado, interpretado, avaliado ou criticado. Todos os dados são literalmente considerados consistentes, sendo-os ou não. Isso porque a MI precisa dar respostas imediatas e proporcionais de todos os dados que chegam a ela, pois controla todas as funções do corpo. Faz isso e muito mais, sempre orientada no sentido de exercer o equilíbrio do organismo e de protegê-lo. Ela é literal e precisa ser literal, proporcional e imediata para a busca e manutenção da homeostase (equilíbrio), monitorando e corrigindo todas as variáveis psíquicas e físicas. Por isso, todas as informações que chegam a ela são consideradas verdadeiras, sendo-as ou não. Também o que pensamos, mentalizamos ou sonhamos é tão real para a nossa MI quanto o é a realidade objetiva para a MC.

Quando nos comportamos não assertivamente com as pessoas (queremos dizer não para o outro, e dizemos sim ou vice-versa,) passamos incongruências para a nossa MI, as quais são acatadas por ela como verdades absolutas do tipo:
– o outro é quem é importante;
– em primeiro lugar, o outro, depois, o outro e, frequentemente, o outro;
– importante é o que o outro me pede;
– a vontade do outro é uma ordem;
– faço a felicidade do outro;
– penso uma coisa e digo outra;
– desejo fazer a minha vontade, mas me submeto a fazer a vontade do outro;
– para o outro, a possibilidade; para mim, a impossibilidade;
– por consequência, sou um paradoxo:
quando estou bem, me sinto mal; quando estou mal, me sinto bem. Sendo assim, nunca me sinto bem.

A MI pega toda essa massa de informações e vai moldando o seu comportamento, o seu pensamento, o seu jeito, criando um padrão, orientado exatamente na maneira como você fala, age e pensa. Para a sua MI, essas são as verdades que ela vai registrando e fazendo delas expressão da sua realidade.

Quando alguém nos solicita um favor, é importante lembrarmo-nos desses aspectos para então darmos a resposta adequada ao contexto e à pessoa. Para isso:
– é necessário tomar-se consciência disso;
– avaliar o pedido de quem quer que seja e fazer a melhor opção para si;
– dizer à pessoa um NÃO direto, sem a preocupação de justificá-lo. Dizer simplesmente um NÃO. O justificar faz o outro pensar que você está arranjando desculpas.

Sabendo dizer não para o outro, você será capaz de dizer não para si quando isso for necessário.

Repita e mantenha essa nova forma de lidar com as pessoas. Quando o sim se justificar, ainda assim reflita e só o diga excepcionalmente, como uma escolha sua, não como uma imposição da pessoa ou da circunstância.

Nos relacionamentos afetivos, quando a pessoa não sabe dizer não para sua “cara metade”, a relação se deteriora, porque torna-se uma relação de poder onde alguém manda, e o outro se submete, não importando com quem esteja o poder. Para que uma relação se perenize, é necessário que haja a troca. Na troca, os dois lados ganham. Há quem tenha tanta dificuldade de dizer NÃO que o primeiro NÃO é quase impossível. Vencida a barreira inicial e mantendo seu novo posicionamento, você constatará que, sabendo dizer não, sua vida mudará para melhor. Para muito melhor. Os efeitos são imediatos.

Objetivos e metas que você alcançará com essa nova postura:
– elevação da sua autoestima e autoafirmação;
– harmonização e sucesso nas relações pes-soais, de trabalho, afetivas, familiares e
sociais;
– recuperação da sensação de autoconfiança e bem-estar que caracteriza o estado de
saúde.

Sabendo dizer não, você passará a ser respeitado, admirado, querido e gozará da admiração das pessoas ao constatarem que você é confiável, assertivo e justo consigo mesmo e com o seu próximo! E, de quebra, recuperará a sua autoestima, sua autoconfiança e sua dignidade!

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